Nunca Esqueçamos…

Quem fomos, somos ou seremos.
No nosso QUOTIDIANO, por vezes, somos tentados a olhar para cima e raras as vezes para baixo.
Espelhos há que, nunca foram limpos e quando o são, espelham a imagem que renegamos.
Esquecemos que, do Nada, já fomos seres desprotegidos, amparados e auto-apoiados, para sermos novamente desprovidos de faculdades conquistadas nos caminhos da nossa vida. Sobre esta existência de TODOS necessitamos e necessitaremos.

Nos primeiros dias de vida, até à adolescência, quem não se lembra de, um aceno carinhoso, uma reprimenda, um abraço, um beijo, um açoite, um amparo ou mágoa? Penso que todos, embora uns mais que outros. Na minha era, eram mais os açoites do que acenos, mas em tudo havia justiça. Hoje vivencio um proteccionismo descomunal, em tenra idade, esmorecendo, posteriormente, na juventude. Assisto a comportamentos de educadores a educados sem regras nem equidade.
Alguns doutos defendem que este tipo de educação provém de um stress social e laboral. Até podem ter alguma razão na defesa, mas será que para termos ou darmos AMOR será preciso estabilidade social ou laboral?


No vigor da idade adulta, já quase não nos lembramos quem fomos, só pensamos no nosso umbigo e por vezes atropelamos valores de outros tempos. Um velho que tosse, uma criança que nos responde, um bebé que chora, tudo se torna intolerável. Só queremos o nosso lugar e se possível desocupado.
Chegados á idade dos “entas” começamos a ter uma, interior, racionalidade, mesmo com, contínua, intolerância perante os outros. Percepcionamos o desatendido anteriormente, acompanhados de um acre, no resto que nos falta. Na minha entrada, nesta casa, já o meu Pai me dizia que, uma vez aqui, jamais sairei até ao Nada.

No gerúndio desta senda, voltaremos à básica idade, em diferente contexto, não só pelo cômputo temporal mas Humano, seremos Velhos, indefesos, insuportáveis e por vezes irracionais. É nesta actual visão, que percepciono o futuro que me caberá. Tenho a noção desta inspecção não me cabendo no entanto algumas observações aqui defendidas.

Tenho um familiar com 94 anos de vida, Homem já tocado pela sombra da Morte ,fintando-a com vigorisidade. Humilde personagem, detentor de uma grande sabedoria de vida e carácter. Passa os dias, Só, em absoluto descanso, interrompidos pelo gosto do computador. Pede que lhe envie e-mails para os reenviar a outros, e, sendo ele Espanhol, solicita que eu traduza os da minha língua para a dele. É um trabalho hercúleo, tratando-se na maior das vezes de trabalhos em PowerPoint, mas de uma satisfação tal que não me sinto, em nada, compelido em fazê-lo. Apesar da distância entre os dois, eu sinto a sua presença com o meu contribuo para a sua felicidade e em passar melhor o seu, já renovado, tempo de menino.

Alguns de nós profetizamos frases: “eu não preciso de ninguém”, mas já precisamos e continuaremos; “não quero ninguém por perto”, mas choram ao sentirem-se sós.
Na maioria das vezes, estes pensamentos, advêm de meninos de avançada idade porém, como em tudo, tem uma explicação. Por vezes são Homens com experiências pouco salutares, e, uma vez entregues à idade de menino crescido, teimam negar ajuda, na maioria das vezes, por vingativos fantasmas.
Para ultrapassar esta incomunicabilidade é lembrarmo-nos do que já Fomos, e, que, em anteriores passos, também tínhamos comportamentos menos afáveis. Face às circunstâncias, devemos seguir Igualitarismo do AMOR e não o Revivalismo. “Fizeste-me também tas faço”. Não deixo de reprovar este rancoroso pensamento, por não nos levar à Paz Final de cada UM.

O nosso “prémio” chegará por meio de mensagem, com Atenção descodificaremos a mesma, no agir sem retornos e acções sem preço, porque o AMOR é incalculável. Construamos o Nosso Amanhã em Gratuitidade, Amor e Tolerância, deixemos graças e louvores aos que cá continuam, desta maneira o AMOR não será só no Início, mas também no Fim.

Somos Todos seres sociáveis, vivemos Todos em comunhão de afectos, como tal vivamos de Todos para Todos numa perspectiva, de entreajuda Humana, descodificadora da mensagem que os Momentos nos proporcionam.
Já Fomos, agora Somos, e, amanhã Seremos, Todos iguais, mesmo em diferentes concepções, Seremos sempre sombra de nada.

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